
Passados 10 dias da morte do nosso querido amigo Rudney, retornei àquele conjunto (alvorada, onde passamos nossa infância) e segurei o máximo que pude todas as lágrimas que queriam escorrer em meu rosto.
Preparei uma mensagem para ler na missa. Por questões de tempo me recomendaram ler somente a música (Os bons morrem jovens - Legião Urbana)
Estavam lá: Eu, Sarah, Guiomar, Júnior (macaco), Rodrigo Saraiva, Rodrigo (padeiro), Nica, Josean (peba), Aryela, Lina, Nereide, Sônia e outros.
A missa correu como de costume, a homenagem ficou para o final. Guiomar leu a mensagem dela chorando bastante e se esforçando para ir até o fim.
Depois, foi a minha vez. Olhei para a porta do canto lado direito da igreja, o imaginei olhando para mim e pensando: - Estou orgulhoso de você. Me veio mil imagens na cabeça. Tudo o que vivemos, toda a comunicação mesmo distante... Apoiei o cotovelo no púlpito, descansei a cabeça sobre a mão e comecei a ler toda a música com uma dor no peito mas sendo forte até o fim para não chorar. E não chorei (enquanto estava no altar). Todos me olhavam bem atentos e alguns até choraram. Desci, fui para o banco, sentei ao lado de Aryela e não consegui mais aguentar....
Segue, pois, uma música que vale para diversas pessoas que conviveram com você, imagino que principalmente para sua esposa:
Os Bons Morrem Jovens
Legião Urbana
Composição: Renato Russo
É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais
Quando eu lhe dizia
Me apaixono todo dia
É sempre a pessoa errada
Você sorriu e disse
Eu gosto de você também
Só que você foi embora...
Cedo demais!
Eu continuo aqui
Meu trabalho e meus amigos
E me lembro de você
Em dias assim
Dia de chuva
Dia de sol
E o que sinto não sei dizer...
Vai com os anjos
Vai em paz
Era assim todo dia de tarde
A descoberta da amizade
Até a próxima vez...
É tão estranho
Os bons morrem antes
Me lembro de você
E de tanta gente que se foi
Cedo demais!
E cedo demais...
Eu aprendi a ter
Tudo o que sempre quis
Só não aprendi a perder
E eu que tive um começo feliz...
Do resto não sei dizer
Lembro das tardes que passamos juntos
Não é sempre mais eu sei
Que você está bem agora
Só que neste mundo
O verão acabou.
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Agora todos devem estar curiosos para saber da mensagem que seria lida. Ela conta um pouco de toda a nossa amizade, segue abaixo:
É tão estranho
Os bons morrem jovens
Uma notícia congela o tempo e nos faz questionarmos o que aconteceu. Os porquês são inevitáveis, ainda que com o tempo eles sumam, sempre aparecem no começo acompanhados de uma agulhada no peito de quem não quer acreditar no acontecido.
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais
Talvez a história que eu vos conte não seja só a minha, muito provavelmente será a de muitos. Quando criança estudei com o Rudney numa escolinha que ficava na terceira rua de cima. Existem registros fotográficos dos quais infelizmente eu não tenho cópias...
Com o passar do tempo o Rudney cresceu e se formou uma criança cada vez mais bela e encantadora. Era o menino mais bonito do conjunto, era amável e acima de tudo amigo.
Brincávamos de corrente no campo, caímos na terra e nos sujávamos todos. Brincávamos de tica-fruta e o Rudney era sempre a ameixa, não sei porque. Então vinha a época junina e junto com ela a disputa para quem dançaria com o Rú.
O Rú tinha um andar diferente e às vezes caçoavamos dele tentando imitá-lo... E o sinal enorme no braço, marca registrada dele....
Estudei com ele novamente quando fizemos a 6ª série, lá no Colégio Integração. Sentávamos em lados opostos da sala, mas nem por isso deixamos de ser amigos. Ele era um dos melhores jogadores de basket do colégio. Aliás, em todo esporte que ele se envolvia ele dava o melhor de si.
Nessa mesma época eu, ele e a Suelen gostávamos de pedalar até os bairros vizinhos e quando voltávamos era só conversa....
Um dia o Rudney anunciou que iria morar em Campina Grande, lamentamos muito e sofremos também com a partida de toda a família Dias Araújo.
Então eu consegui uma forma de burlar a distância, havia uma maneira de ligar de orelhão e passar horas à fio sem pagar nada. Então eu ligava para ele com uma regularidade e passavamos por volta de uma hora conversando.
Outro dia ele disse que ía morar nos Estados Unidos. Como na época já existia o e-mail, nem assim a distância conseguiu separá-lo de nós. Às vezes ele ligava a webcam e mostrava a sua casa, seus amigos novos. Sempre dava notícias de como tudo estava andando por lá.
Chegou a mandar um cartão postal de Orlando-Flórida, lembrando dessa amiga.
Então um dia ele conheceu uma pessoa especial e resolveu constituir uma família com ela. Casou e depois teve um filho lindo, a quem deu o nome de Enzo.
Para a felicidade dos seus amigos natalenses ele volta a morar por aqui e antes de reestabelecermos o contato tão grande quanto o que tínhamos quando crianças ou adolescente o destino o levou de nós.
Não queria que essa fosse a minha última carta para você.
Ainda que não estejas aqui fisicamente, podemos sentí-lo olhando por nós.
Que o Senhor possa estar contigo e conosco. Amém.
Vai com os anjos
Vai em paz
Era assim todo dia de tarde
A descoberta da amizade
Até a próxima vez...