Já se passaram 4 meses daquela
que foi, sem dúvidas, a viagem mais mágica da minha vida.
Escolhemos o destino com bastante
antecedência e diante da primeira viagem internacional, o leque de
possibilidades era muito amplo. Conseguimos chegar a duas opções: Chile e
Argentina, e agora as pesquisas de Internet definiriam a melhor entre elas. A
maioria dos sites pesquisados apontavam ser o Chile e então aproveitamos a
antecedência para comprar as passagens por um valor mais acessível (eis a primeira
economia), compramos as passagens eu, minha mãe e a amiga Daguia (que
infelizmente precisou desistir). Fizemos um trecho saindo no dia 23 de agosto
de Natal, chegando em Santiago no dia 24 pela manhã e a volta ficou no dia 30 de
agosto saindo de lá, chegando em Natal no dia 31 do mesmo mês. Portanto,
foram 7 corridos dias na tentativa de conhecer o Chile que hoje vejo como
pouco, mas que conseguiram concentrar as principais atrações num raio menor de
área. Não deu para visitar as regiões como: Deserto do Atacama (com suas águas termais),
Ilha de Páscoa, Puerto Montt ou Puerto Varas (na famosa região dos lagos)
e nem Punta Arenas deixando aquele gostinho de quero mais. Quero voltar um dia
para conhecer! Pois bem, passando a parte introdutória, começo a contar o dia a
dia dessa viagem inesquecível....
Primeiro dia.
No dia da viagem saímos eu e
mainha para o aeroporto com mais de uma opção de roupa (uma por cima da outra)
e um casaco na mão. Acho que foi uma boa escolha, alternamos de
temperatura várias vezes na viagem. Ficamos algumas longas horas no aeroporto
de Guarulhos esperando o nosso vôo para o Chile e passamos numa agência do BB
que há lá especializada em fornecer o famoso visa travel Money - VTM. Essa foi
a segunda economia, só não foi melhor por inexperiência mesmo. Minha mãe tinha
feito um VTM da empresa de câmbio Sol em Natal mesmo, só que este cartão lhe
trouxe muito desgosto e eu havia guardado boa parte do dinheiro em espécie na
esperança de trocar ao chegar no Chile. Aprendemos com isso que diante do
planejamento a longo prazo, o ideal é aproveitar a baixa do dólar para
abastecer o VTM e levar a menor quantia possível em cash.
Fizemos o checking e ao entrar
para a sala de embarque nos perdemos entre as alças do aeroporto, isso porque
os painéis mostravam voos com o mesmo destino, pela mesma companhia (TAM) e
quase no mesmo horário!!! Corremos tanto de um lado para o outro no intuito de
não perder o vôo que aquela bota linda da santa lolla agora me presenteara com
terríveis calos que duraram por muitossss dias.
Entramos na aeronave, vôo internacional...
aeronave imensa, com um cardápio delicioso e o mais incrível: o céu estava
aberto e dia ensolarado.
De repente, o chefe de cabine
avisa que estávamos sobrevoando as Cordilheiras dos Andes. O senhor chileno que
estava entre mim e minha mãe cedeu seu lugar para que ela ficasse no meio. É
que eu já estava na janela... Comecei a ficar extasiada com tamanha obra do
Senhor. Passamos tão pertinho daquelas imensas montanhas, o gelo já estava
começando a querer derreter, mas era tudo muito branquinho ainda. Tiramos
tantas fotos quanto pudemos, eu mesma queria mais do que tudo guardar na
memória, então deixei os cliques aos cuidados da mamis enquanto eu só
admirava.
Terra firme!!! Passamos pela
polícia internacional, pela identificação, depois partimos para um caixa
eletrônico, do qual eu só vi no aeroporto para sacar direto no banco do Brasil só
que na moeda do peso chileno. Taxistas suuuuuper solícitos, mas cuidado
para não cair na lábia do primeiro que vir, dá para pechinchar o translado até
o hotel e eu só percebi isso depois....
Seguimos para o hotel principado
(cuidado com o nome do hotel, só no mesmo quarteirão há pelo menos uns 3 com
esse nome), deixamos a bagagem e seguimos para o Mercado Central. No
caminho fomos pela Av. Providencia e nos deparamos com diversas avenidas
fechadas para a prática de ciclismo, caminhada e trânsito apenas de pedestres
(nos domingos é comum essa prática). Vimos muitos policiais (carabineiros) pelas
ruas, tiramos até fotos com eles e perdemos a oportunidade de conhecer os
museus da cidade que ficam abertos aos domingos e fecham nas segundas para
manutenção. Mas foi divertido e saboroso conhecer os frutos do mar do
Chile no Mercado Central. Não tem
como não perceber a diferença entre os de lá e os de cá. Comi o melhor salmão
da minha vida!!! Na volta da caminhada estava ainda mais frio que na ida, só
faltamos congelar no meio do caminho. A sorte é que o quarto do hotel era tão
quentinho....
A noite já conhecemos de cara o
Pátio Bela Vista (local em que reúne gastronomia, loja de artigos, semi-jóias,
roupas e cultura) e jantamos num restaurante e pizzaria excelente por nome de ZOCCA (recomendadíssimo). Voltamos de
táxi para o hotel embora estivéssemos a apenas uns 300 metros dele, por pura
segurança e em razão do horário.
Segundo dia.
O segundo dia que caiu numa
segunda-feira eu havia reservado para conhecer atrações turísticas, o grande
problema é que na segunda muitas delas fecham para manutenção! Aproveitamos
então para conhecer o “centrão”, trocar um pouco mais de dinheiro... Foi então
que pegamos o metrô pela primeira vez lá (e olha que o metrô cobre quase toda
Santiago, é de excelente qualidade e silencioso, só é bom ficar muito atento
aos pertences para evitar os famosos pequenos furtos). Conhecemos a Plaza de Armas, a praça mais famosa da
cidade e na qual é possível encontrar muitos artistas de rua, a Catedral, Correio Central, o Museu
Histórico Nacional, Edifício da Municipalidade de Santiago (“Prefeitura”).
A tarde fomos a uma visita agendada
com antecedência para conhecer o Palacio
de La Moneda (agende no site: http://www.gob.cl/la-moneda/ven-a-conocer-la-moneda/),
lugar onde fica o presidente da república e de grande riqueza histórica. Vale a
pena combinar essa visita com o dia em que ocorre a troca da guarda
presidencial (calendário disponível em: http://www.gob.cl/la-moneda/cambio-de-guardia/),
nós não conseguimos ver esse evento oh...
A noite fomos novamente ao Pátio
Bela Vista, mas o jantar nós conseguimos pela graça de Deus que fosse no "Como Agua para Chocolate",
que por sinal foi o melhor dentre todos os restaurantes que nós fomos! Pedi o
“Filete de Vigor y Pasión”, a carne era tão suculenta e o molho de dar
água na boca. Gostamos muito dali!!
Terceiro dia.
Era uma terça-feira. Dia de conhecer
a neve!!! Não vou negar que para mim foi a atração mais esperada. Tentei
pesquisar bem as agências que fazem o passeio, mas acabei indo por uma indicada
pelo hotel (o que eu não recomendo em razão do preço e da assistência que não
foi compatível). Tirando esse pequeno detalhe, fomos apanhadas no hotel e
seguimos para o Valle Nevado. Uma
subida com aproximadamente 60 curvas bem fechadas e que me causou muito enjôo.
Fomos numa lojinha que aluga as roupas de frio e alugamos quase todo tipo de
acessório (que para nossa surpresa acabamos tirando vários deles lá em cima por
causa do calor que fazia, pois era dia de sol). Enquanto subíamos aquela
montanha e eu já começava a ver a neve ainda mais próxima, passava um filme na
minha cabeça de tudo o que eu havia vivido para chegar até ali. Não que
fosse o maior dos meus sonhos conhecer a neve, mas aquilo era algo, até então,
tão inacessível para mim, algo que parecia que demoraria muitos anos para
acontecer. Eu não conseguia olhar para aquela neve e não agradecer a Deus por
tanto amor que Ele tem por mim. Meus olhos se encheram d'água.
Conhecemos um casal de
brasileiros muito especiais: a Nara e o Zeca (lá da Brasília) e eles seriam
nossos companheiros de viagem daquele dia em diante. Todos fizemos aula de
esqui, até a minha mãe encarou essa aventura. Eu me senti muito a vontade com o
equipamento, meu equilíbrio é algo extraordinário! Brinquei muito na neve, me
senti literalmente como uma criança. Eu ficava pegando na neve para tentar
lembrar da sensação (remeti a infância quando mastigava gelo do congelador
kkkkk, a consistência é a mesma...). Desci várias vezes a pista de iniciantes
até me sentir segura para descer a pista intermediária, super rápida e perigosa
(Meu Deus e bota rápida nisso, só vim cair nela). Mas quando cheguei lá em
baixo minha parada foi triunfal, parecia uma profissional, enchi o peito e sai
como se já fosse uma veterana (muitos risos). Pensei ter combinado com minha
mãe que ela descesse e me encontrasse lá em baixo. Mas diante do confronto de
informações, ela ficou lá em cima me esperando e eu lá embaixo esperando por ela
um tempão. Então alguém me avisou que ela estava aflita e eu sai feito louca ao
encontro dela. A sorte era que a Nara e o Zeca estavam com ela :) ufaaa
Na volta seguimos direto para o Cerro Santa Lucia (um dos montes
situados no meio da cidade, com uma santa no alto e um mirante aos seus pés).
Apreciamos a cidade dali e depois fomos a uma freirinha quase em frente. Depois
disso a Nara e o Zeca seguiram para o flat onde estavam hospedados, enquanto eu
e mainha seguimos para o Costanera
Center (um conjunto de quatro edifícios edificados na interseção da Avenida
Andrés Bello com a Avenida Nueva Tajamar, cujo edifício central tem 300metros
de altura), fomos conhecer por indicação da Nara o centro comercial que ocupa
os quatro primeiros andares, visitamos algumas lojas, ficamos bem
impressionadas com o luxo do shopping, jantamos em um restaurante onde as
garçonetes falavam super rápido e também não me entendiam. Foi o lugar onde
mais sofri com a língua espanhola... Não entendi nada que tava escrito no
cardápio e lamentei o fato de nunca ter dado muita atenção ao espanhol.
Quarto dia.
Dia de conhecer a Vinícola Concha y Toro. Passeio com
mais de meia de hora no metrô e um deslocamento final de ônibus ou de táxi,
também requer agendamento prévio (basta visitar o site: http://www.conchaytoro.com/web/tour/?lang=pt-br).
Lugar muito bonito, história interessante e uma paisagem tão agradável.
Foi muito bom, apesar de não ter o hábito de beber vinhos, valeu pelo
turismo.
Quinto dia.
Depois de muita argumentação da
mamãe, resolvemos fazer deste dia um dia de visita a Casa de Pablo Neruda que fica situada na praia de Isla Negra. Lugar do qual não nos
arrependemos, na verdade voltamos encantados de lá, inclusive o Zeca e a
Nara. A casa tem formato de barco e às vezes de locomotiva. Um verdadeiro sonho
de crianças. Esculturas, conchas, garrafas de vidro com desenhos em terra
por dentro, tantas coleções que dá para ter a sensação de que Pablo Neruda era uma eterna
criança. Muito bom esse passeio, mas requer quase um dia inteiro por causa da
viagem de ônibus.
A noite o jantar ficou por conta
da lanchonete Ciudad Vieja, situada na esquina da rua Constitucion,
indicada pelo aplicativo SGO do Trip Adviser como um dos melhores sanduíches da
cidade. Super recomendo!
Sexto e último dia.
Foi aquele em que tentamos
compensar o programado para conhecer os museus. Deixamos nossas bagagem no flat
da Nara e do Zeca e tomamos destinos diferentes. Evidentemente que não daria
para conhecer todos os museus, então, diante de ter conhecido a parte
história da ditadura no chile na visita ao Palácio de La Moneda e a casa de
Pablo Neruda, cheguei a conclusão de que o primeiro museu que deveríamos
conhecer deveria ser o Museu da Memória
e dos Direitos Humanos. Museu muito rico de informações da época da
ditadura, um pouco distante de onde estávamos, mas super acessível de
metrô. Não deu tempo de visitar outros museus... :(
A ida para o aeroporto foi super
preocupante. Havia um engarrafamento enorme. O Zeca orou todo o traslado para
que conseguíssemos chegar a tempo. Passamos pelo Free Shop e compramos algumas
coisas, o dólar tava bem alto....
Em São Paulo aproveitamos para
tricotar muito eu e a Nara, o que gerou muito ciúme na mamãe...
Então vamos aos saldos:
POSITIVOS:
- Compra das passagens com
antecedência nos gerou bastante economia.
- Escolha do hotel (Hotel
Principado), super perto do Pátio Bela Vista, nos rendeu noites maravilhosas de
jantares saborosos e sem contar a localização que nos possibilitava conhecer
muita coisa só caminhando. Além do precinho....
- Conhecemos os principais pontos
turísticos da cidade
- Conhecemos uma praia, no caso
Isla Negra, e a casa mais amada de Pablo Neruda
- Conhecemos a NEVE!!!! A escolha
do mês foi fundamental para isso!
- Conhecemos a Vinícula mais
famosa, 2 Cerros, o maior shopping e comemos muito bem...
PONTOS NEGATIVOS
- Não ter colocado a maior parte
dos recursos financeiros no VTM do Banco do Brasil
- Não ter conhecido a região dos lagos
e nem o deserto do atacama (logo quando estava nevando após 30 anos)
- Não ter prestado atenção no
fato dos museus e outros pontos turísiticos fecharem na segunda-feira
PS: A quem interessar viajar para o Chile recomendo baixar um aplicativo para celular chamado Santiago City Guide da trip advisor (disponível em: http://www.androidpit.com.br/pt/android/market/apps/app/com.tripadvisor.android.apps.cityguide.santiago/Santiago-City-Guide). Esse aplicativo me ajudou em vários momentos, principalmente quando eu queria saber a que distância eu estava de determinado lugar e como eu deveria fazer para chegar caminhando. É que ele também funciona como gps, mas bem mais direcionado aos pontos turísticos, valeu muito mais do que todas as pesquisas que fiz na internet.
PS: A quem interessar viajar para o Chile recomendo baixar um aplicativo para celular chamado Santiago City Guide da trip advisor (disponível em: http://www.androidpit.com.br/pt/android/market/apps/app/com.tripadvisor.android.apps.cityguide.santiago/Santiago-City-Guide). Esse aplicativo me ajudou em vários momentos, principalmente quando eu queria saber a que distância eu estava de determinado lugar e como eu deveria fazer para chegar caminhando. É que ele também funciona como gps, mas bem mais direcionado aos pontos turísticos, valeu muito mais do que todas as pesquisas que fiz na internet.

